Variáveis Baldur-Rosianas
WHAT IS YOUR EARLIEST HUMAN MEMORY?

My Earliest memory is when I woke up from my parents’ bed and I gone downstairs and so I found my mom washing the dishes. This is my “earliestiest” memory.

Earlier than that I remember nothing.

Desistir é o que mata pessoas. Somente quando uma pessoa se recusa a desistir, sem se importar com os motivos, é que obtém o direito de explorar o que é incógnito
Alucard, em Hellsing OVA, capítulo IVAlucard, o Lixeiro da Hellsing
Oração ao Deus Desconhecido (adaptada)

Ara ao Deus Desconhecido

Diletos leitores, trago hoje pra vocês uma versão adaptada (por mim, lógico) da tradução de Leonardo Boff da “oração ao Deus Desconhecido”, de Niestzche. O “Deus Desconhecido”, do latim “Deus Ignotus” e do grego “Agnostos Theos”, tem uma história interessante. Quem é o “Deus Desconhecido”?

               Bem, em resumo, nos tempos da Antiga Grécia, havia o costume de consagrar outeiros a uma determinada divindade. Esse costume era comum nos tempos pagãos. A Bíblia já relatava que até mesmo no Oriente Próximo e Médio havia os chamados “Altos” ou “High Places”, dedicados às divindades da região, como Ba’al Hamom, Astarte, Melcarte, etc. Na Grécia não era diferente. Diz-se que Epiménides, buscando apoio divino para uma livrar Atenas de uma terrível praga, soltou um rebanho de ovelhas numa região cheia de colinas na Grécia para analisar qual Deus ou Deusa concederia o apoio aopovo, uma vez que muitas delas já tinham um “alto” com uma respectiva ara dedicada a uma divindade. Aonde o rebanho parasse, seria visto como um presságio indicando qual Deus ou Deusa iria se dispor a ajudar os gregos, e naquela colina, naquela ara, iriam ser sacrificadas todas as ovelhas deste mesmo rebanho em honra a tal divindade. Para o espanto de todos, o rebanho parou justamente na colina aonde não havia nenhum alto, nenhuma ara.

               E agora? Que poderia ser feito? “Oras, simplesmente vamos erguer uma ara ali e sacrificar da mesma forma que faríamos se elas parassem num Deus conhecido.” Creio que deve ter sido o pensamento de Epiménides. Dito e feito. E este foi o altar que ele ergueu, e nele escreveu as palavras NE TON AGNOSTON, que, em grego, é “AO DEUS DESCONHECIDO”: 

               Nota-se que até mesmo São Paulo percebeu a existência desta famosa ara, tanto que no capítulo 17 do livro de Atos dos Apóstolos ele comenta do seu encontro com ela, no seu famoso Discurso do Areópago:

“22 E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos;

23 Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio.

24 O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens;

25 Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas;

26 E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;

27 Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;

28 Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração.

29 Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens.

30 Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignoráncia, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam;

31 Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.

32 E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez.” – Atos 17:22-32

                E aqui estamos nós. O Deus que gnóstico Paulo acabara de descrever é, portanto, para mim (mais ou menos, claro) o Deus a quem dedico a minha versão adaptada desta oração. Enjoy:

 

Oração ao Deus Desconhecido

Por Friedrich Niestzche

Traduzido por Leonardo Boff e adaptado por Eleassar Baldur Rose

 

“Antes de prosseguir em minha senda

E lançar meu olhar para frente mais uma vez,

Elevo, sozinho, minhas mãos a Ti

Na direção de quem fujo.

A Ti, das profundezas do meu coração,

Tenho dedicado altares festivos para que,

Em cada momento, Tua voz pudesse me chamar

Nestas aras, em fogo gravadas, estão as palavras:

AO DEUS DESCONHECIDO

Teu, sou eu, embora até agora eu tenha me unido aos sacrílegos

Teu, sou eu, e ainda assim laços me puxam de volta para o abismo.

Mesmo em fuga, sinto-me obrigado a servir a Ti!

Eu quero te conhecer, ó Ignoto,

Tu, que me penetras a alma e, igual a turbilhão, invade meu viver.

Tu, ó Incógnito, contudo semelhante a mim,

Quero te conhecer, e servir só a Ti!”

 

DEO IGNOTO

AMÉM-RÁ

Com voto de Paz Profunda e Benção Plena, sou:

Eleassar Baldur Rose

Desterro, Sancte Aurelii de 3364 AR+C

Salmo Máximo do Cavaleiro Cananeu

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